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Dez 2025

Um Corpo Cansado, Uma Alma em Sobrevivência

Dezembro chega com gosto de exaustão. Cansei de lutar — contra os outros, contra a rotina, contra o meu próprio corpo. Comecei a academia, como quem tenta puxar um fio que ainda resta, tentando reconstruir algo, qualquer coisa. Mas a verdade é que não aguento mais viver assim — tentando sobreviver dentro de um corpo que só quer descanso e de uma mente que está pedindo trégua.

Os primeiros dias de dezembro se arrastam.
A vida pesa. Tudo pesa. E, mesmo assim, continuo movimentando as pernas, respirando fundo, tentando existir. Como se cada gesto fosse um esforço imenso, mas ainda assim um gesto.

Dezembro abre com cansaço mas também com uma pergunta silenciosa “Será que ainda existe um jeito de continuar sem doer tanto?” E então, nos últimos dias quando eu já não esperava nada, quando dezembro parecia condenado ao cinza apareceu ela. Atualização Fev 2026: Genteee, ela n fala mais comigo kkkkk foi uma salvação de dezembro mesmo mas só isso começo e termino alí

Um anjo de vestido amarelo. Não porque fosse perfeita, mas porque chegou com a luz exata que meu peito precisava.
Ela falou comigo como quem acende uma vela num quarto escuro: sem pressa, sem forçar, só iluminando o suficiente para eu lembrar que ainda existe mundo dentro de mim. Foi um tour de sentimentos novos. Amor no sentido mais amplo: cuidado, presença, olhar sincero. Emoção que não sufoca, mas que expande sem sufoco um tipo de companhia que não sabia que existia, me fez pensar tudo. Não com grandes discursos, mas com gestos simples — como quem segura sua mão e diz “eu te vejo”

Ela me deu esperança. Vontade.Direção.
E uma sensação estranha e bonita: como se eu estivesse começando tudo de novo. Como se, depois de tanto caos, estivéssemos abrindo uma nova franquia da minha vida — outro universo, outros caminhos, outros personagens. Não é fuga. É renascimento. E, pela primeira vez em muito tempo, sinto que talvez eu esteja pronta para viver algo que não seja só dor

Os dias passam e, como quase sempre acontece quando algo bom aparece, a bagunça vem logo atrás. Contratos cancelados. Trabalho por um fio. Planos que pareciam firmes começam a balançar como castelo de cartas.

Não vou mentir... tenho medo.

A ansiedade volta a ocupar espaço, se espalha pelo corpo como eletricidade mal isolada. O peito aperta, os pensamentos aceleram, e eu sei — eu sei — que não posso falar muito. Não agora. Não nesse momento frágil em que qualquer palavra mal colocada pode virar contra mim.
Mas como falar, afinal, se eu mesma sei que não estou fazendo tudo o que deveria? Essa é a parte que mais dói: a consciência. Saber o que precisa ser feito e, ainda assim, travar. Assistir a própria vida pedindo movimento enquanto o corpo responde com paralisia. Não por preguiça, não por falta de vontade mas por cansaço acumulado, por medo de errar de novo, por estar vivendo no limite há tempo demais

O anjo de vestido amarelo ainda existe na memória recente. A esperança não morreu. Mas agora ela divide espaço com a realidade crua: boletos, decisões, responsabilidades que não esperam cura emocional.

Dezembro segue assim, instável. Entre a vontade de acreditar e o medo de não dar conta. Entre o desejo de mudar tudo e a culpa por não conseguir agir. Talvez este seja o verdadeiro aprendizado do mês: nem toda bagunça significa fracasso. Às vezes é só o meio do processo — o trecho confuso entre quem você foi e quem está tentando se tornar.

E eu sigo. Com medo, sim. Com ansiedade, também. Mas ainda aqui.
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