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Out 2025

Das Ruínas, Um Rascunho

Outubro começa sobre os escombros de setembro. O coração ainda dói como se tivesse estilhaços fincados, e a confiança, antes inteira, parece ter se dissolvido em silêncio. Mas é sobre isso que se escreve: não sobre finais perfeitos, e sim sobre restos que pedem novos começos.

O rascunho é a prova de que ainda há movimento, mesmo quando o peito insiste em parar. É a palavra que se escreve na beira do abismo, a página que se preenche porque o vazio precisa ser respondido de alguma forma

Não sei se outubro vai curar, mas sei que ele pede tentativa. Pede para que eu me sente, escreva, crie. Pede que eu invente uma forma de continuar mesmo sem acreditar no amanhã

Outubro chego com novos personagens, um cara sensivel que posso conectar de coração a coração falas interminaveis e olhares cumplices, sera que agora sim conheci um bom amigo? Mas amizade não vive só de conexões; vive de tempo, presença, continuidade.

E a vida, essa velha inimiga do que poderia ter sido, entrou correndo pela porta. A rotina apertou seu pescoço, a correria engoliu nossos diálogos, e a distância foi crescendo como erva daninha entre dois muros que queriam, mas não conseguiam mais se encostar. A amizade não morreu — só não nasceu como prometia. Evaporou-se antes de virar laço

O resto do mês virou borrão
Trabalho, mais trabalho, cobranças que se acumulavam como pilhas de papéis que eu nunca conseguia terminar. A vontade de estudar existia, mas não encontrava espaço. E assim, sem perceber, a mente começou a desligar para sobreviver.

Chama-se dissociação, mas na prática parece outra coisa: um vazio que engole as horas, um corpo que funciona no automático, um cérebro que só quer distância da própria vida.

Outubro terminou como uma sala com as luzes apagadas — não por falta de lâmpada, mas por falta de força para acender
Bruxas · Escritos · Trabalho ·
🌧 Tormenta de mais cade o arcoiris?