O bolo de Aniversario
Fevereiro começou e eu só percebi que ele estava ali quando o mês já estava pela metade.
Os dias passaram como se eu ainda estivesse flutuando — sem muito contato com o chão, sem saber exatamente em que momento um dia terminava e outro começava. O tempo parecia escorrer pelos dedos. O único ponto firme, o único fio me conectando à terra, era uma data: 27 de fevereiro. Meu aniversário
Era como se aquele dia funcionasse como uma linha imaginária dividindo temporadas. Um fechamento simbólico entre a pessoa que fui aos 23 e a que talvez possa ser aos 24. E então, quando o bolo estava quase chegando, veio também uma surpresa
Algumas horas de avião, Alguns reais gastos... E ele chegou junto com ele trouxe Uma semana inteira de risadas, tereré, conversas sem pressa, momentos que pareciam suspender o peso dos últimos meses. Por alguns dias, a vida ficou mais leve — quase como se o mundo tivesse apertado o botão de pausa para que eu pudesse respirar.
Depois, claro, a rotina voltou. O trabalho, os pensamentos, as responsabilidades que nunca desaparecem completamente. Mas algo ficou diferente.
O aniversário funcionou como um pequeno ritual de passagem. Não um renascimento grandioso, mas um avanço. Um passo simbólico que talvez eu estivesse esperando desde setembro do ano passado, quando tudo começou a desmoronar.
O bolo acabou, as velas se apagaram. Mas ficou a sensação de que, pela primeira vez em meses, um ciclo realmente se fechou.