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Mar 2026

O Mês que Escapou Pelos Dedos

Março passou.
E, honestamente, eu não sei dizer quando começou… nem quando terminou.

Se não fossem as fotos, os registros, os lugares — cachoeiras, eventos, momentos que teoricamente deveriam significar vida — talvez eu nem soubesse que ele existiu.

Foi um mês de sobrevivência.

Eu estive lá.
Mas não estive inteira.

Como alguém que percorre paisagens bonitas sem realmente enxergar. Como se o corpo cumprisse presença enquanto a mente… estivesse em outro lugar, ou em lugar nenhum.

Março foi isso: um acúmulo de momentos que não se conectam.
Um álbum cheio, mas uma memória vazia.

E, no meio disso, algo antigo voltou.

Um poema de 2017.
Uma versão minha que sentia tudo de forma intensa, quase absoluta, como se amar fosse uma lei divina e inevitável.

Es ley divina que sean tus labios
los que me den un adiós eterno,

Que sean tus piernas quienes
callen mis lamentos,

Tus brazos aterciopelados
abrazando mi vacío

¿Vas por ahí libre?
¿Buscando el polvo sagrado en el mar?

Es ley divina que sean tus ojos
los que me despidan

Que sean tus uñas
las que marquen mi espalda

¿Vas por ahí sola?
¿Buscando la luz en la Luna?

Es divino el sabor de tu sonrisa
tus dientes aperlados haciéndome gemir

Que sea tu espalda
tumbada en mi cama

Queriendo el mayor elixir
que pueda existir

¿Vas por ahí?
¿Haciéndome llegar al cielo con mirarme?

Es ley divina que seas tú,
quien me haga tocar el cielo antes de morir.

Reler esse poema é como encontrar uma cápsula do tempo.
Uma versão minha que sentia com intensidade, que transformava desejo em poesia, que acreditava no outro quase como destino.

E eu me pergunto:
onde ficou essa versão de mim?

Porque março… não teve essa intensidade.
Não teve essa presença.
Não teve esse sentir.

Foi um mês onde eu apenas continuei.

Respirando.
Indo.
Voltando.

Sem grandes quedas, sem grandes voos.
Só… existindo.

E talvez isso também seja uma fase.
Talvez, depois de tanto sentir, o corpo precise desse espaço estranho onde nada parece profundo.

Ou talvez eu ainda esteja tentando voltar.

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Disociada